Foi ao ar, nos E.U.A., em: 11/10/07
A verdade. Preferimos pensar que só existe uma versão dela. Ou seja, a nossa própria. Mas aí alguém aparece e insiste em te passar a (geralmente mal julgada) versão dele (a) da verdade. A verdade é que... existem todos os tipos de verdade. A verdade limpa. A verdade suja. A verdade nua e crua. Meias verdades. Verdades completas. E finalmente o que lidamos nesse episódio. A VERDADE DOLOROSA. O tipo de verdade que não gostamos de ouvir sempre.
Temos todos essa idéia de nós mesmos - de como somos - então alguém na verdade joga isso na nossa cara, bem, isso pode ser um choque. Vou citar o poeta escocês Robert Burns agora porque sempre quis citá-lo e nunca pude descobrir como mencionar essa citação num brinde em um aniversário ou num discurso de Ação de Graças ou como um pouco de sabedoria que gostaria de transmitir para os meus filhos - os quais não gostariam de ouvir de qualquer forma (essa é uma verdade dolorosa). Também poderia emprestar um pouco mais de classe para esse blog. "O maior presente que Deus pode nos dar / É nos vermos como os outros nos vêem." Sim, até mesmo os famosos poetas escoceses escrevem sobre a verdade dolorosa.
Enfim, todos em Seattle Grace tiveram que enfrentar a verdade dolorosa sobre eles mesmos nesse episódio. Bailey quando ela tem que parar na frente de Callie e admitir que tem tido dificuldade com a hierarquia das coisas. Callie, que está, meu Deus, escondendo a verdade porque ela não pode suportar ouvir o que ela SABE que está a caminho. Ok, ela não sabe cem por cento SABE, SABE, mas ela suspeita e isso é suficiente para fazer com que ela fique lá embaixo - no Saguão dos Residentes. Qualquer coisa para evitar o seu marido que a trai.
E Meredith e Lexie? Meredith ouviu uma dolorosa e não bem-vinda carga de verdade quando Bailey conta que Meredith não tem dito palavras carinhosas para sua irmã desde que ela chegou a Seattle Grace. Depois disso, Meredith decide que ela tem que contar a verdade dolorosa para Lexie em relação a mãe dela. Meredith tem sido muito fria com Lexie - pelo menos na cabeça da Lexie - que isso até a fez se questionar sobre o nível de cuidado que Susan possa ter recebido no seu último dia de vida. E essa cena em que Meredith se senta com Lexie e começa a contar os fatos sobre a morte da mãe dela - quando vemos Lexie finalmente receber a verdade dolorosa - bem, vamos dizer que essa é uma das minhas cenas favoritas da série.
O casal da minha outra cena favorita envolve Izzie e Charlie. Shonda disse que queria que Grey's seguisse uma direção mais feliz e mais leve esse ano. E acho que essa estória foi o tipo de coisa que ela tinha em mente. Um paciente que quer morrer, está na verdade DETERMINADO a morrer e... é engraçado e um pouco de quebrar o coração. E aqui está um caso de por trás das cenas. Nós contratamos o ator Jack Axelrod para ser o Cara Velho ano passado. A idéia era que o quarto dele seria um lugar aonde os nossos internos poderiam ocasionalmente ir para estudar ou comer. Colocamos Jack em um semi-coma, pois aí então nossa gangue poderia ter essencialmente sua própria sala de almoço/estudo.
Com o desenvolver da última temporada, usamos Jack para ficar deitado na cama e, bem... somente deitar na cama. E ele fechou os olhos e se revirou na cama e só faria às vezes um barulho com a boca e era muito bom nisso. Quando decidimos acordá-lo do seu longo sono de um ano, sabíamos que Jack era um ator profissional, só não tínhamos certeza como ele seria um ator profissional tão bom. Pelo menos eu não tinha. Mas, meu Deus, ele foi um ator MARAVILHOSO. Eu AMEI ele discutindo com a Izzie. Ele como Charlie foi briguento, engraçado e sincero com a Izzie. Principalmente quando precisou contar a verdade dolorosa. Esse homem casado vai te enganar. Que eles, homens, não tem o hábito cotidiano de contar a verdade. E quanto mais Izzie não queria ouvir o que Charlie tinha a dizer, mais ela começava a gostar dele e até mesmo procurá-lo para conversar. Ele virou um amigo. E francamente, Jack estava tão bom no papel que por um rápido momento chegamos a pensar que talvez deveríamos mantê-lo por perto. Mas para contarmos a estória direito, simplesmente não podíamos. O que meio que doeu...
E eis que surge o motivo da discussão entre eles. George. Que começa determinado a contar para Callie a verdade dolorosa sobre ele e Izzie, mas a sua interação com Connie e suas amigas - às vezes a verdade pode ser dolorosa DEMAIS - o fez reconsiderar, então finalmente sem parar para pensar contou para Callie que havia dormido com Izzie. Espere até você vê-lo lidar com as conseqüências disso semana que vem. Allan Heinberg escreveu um episódio engraçado e comovente. Então mesmo que você não tenha assistido esse episódio, se ligue nesse! É ótimo!
Mark e Derek trocaram verdades um com o outro. Mark teve que lembrar ao Derek sobre a verdade da sua relação com Meredith. Que talvez ele esteja se enganando e que ela nunca será totalmente completa. E Derek rebate o favor vamos-contar-a-verdade quando ele repreende Mark e o Chefe por serem imprudentes em tentar fazer uma cirurgia experimental demais em Connie. Embora ele amoleça um pouco nessa cena quando lembra o Chefe de contar a Adele a verdade sobre porque ele quer voltar para casa. Que ele sente falta dela, que só pensa nela, etc.
E finalmente, vemos Bailey contar ao nosso grande contador de verdades, Alex, a verdade. Que existe um motivo pelo qual não damos ouvidos a internos - é perigoso. E que ele pode sim descontar no interno mais velho do mundo, Norman. Ed Hermann está ótimo no papel (espere até você vê-lo semana que vem, ele é demais). Ed interpreta Norman como um cara legal, carinhoso, uma alma muito boa. Porém, apesar da sua idade avançada, a verdade é que Norman tem muito a aprender. Afinal de contas, ele ainda é um interno.
E, assim como temos descoberto nas últimas três temporadas, o que pode ser mais doloroso que isso?
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