Foi ao ar, nos E.U.A., em: 17/05/07
Então a 3º temporada começou com Meredith ajudando a Izzie a tirar o vestido do baile e terminou com Meredith ajudando Cristina a tirar o vestido de casamento. Não sei se vocês repararam, mas... Eu gosto de simetria. Essa temporada foi importante pra mim. Não foi tão leve quanto a 2ª temporada e por um bom motivo – nossos personagens estavam num estágio mais sombrio. Eu precisava pôr um fim à mãe da Meredith, pôr um fim ao luta da Izzie, pôr um fim à corrida pela chefia. George precisava crescer monumentalmente e completar o ciclo até o momento em que o conhecemos no piloto. Meredith teve que finalmente encarar o fato que ela é estragada quando o assunto é relacionamento. Eu queria colocar a Bailey no caminho do questionamento do seu status de A Escolhida. Burke e Derek ambos precisavam chegar a um obstáculo em seus relacionamentos, cada um à sua maneira. E tem a Cristina...
Ah, Cristina... Essa temporada foi acima de tudo – para todas as mulheres – sobre a idéia de que “ter tudo” é um mito. E isso foi mais verdade para Cristina do que para qualquer um. Vagarosamente, ao longo da temporada, a durona Yang, dilacerada, pouco a pouco, a fim de acomodar o Burke. Desde ajudar Burke a esconder seus tremores, passando por Colin Marlowe lhe dizendo que ela não era a mulher que ele conhecia, até a preparação para o casamento, ela aos poucos passa de cirurgiã durona à mulher que a gente mal reconhece naquele vestido de noiva com a sobrancelha feita. Eu queria que vocês tivessem a sensação no finale de que era virou essa boneca pintada – linda, a noiva da fantasia de qualquer um, mas uma boneca pintada, de qualquer modo. Não mais a nossa Cristina. Tem aquele momento maravilhoso em que ela implora à Bailey para cortar, pois parte dela sabe que ela está se tornando alguém que nem ela reconhece. E então, quando ela já quase se perdeu por completo, ali, parada, com aquele vestido, pronta para entrar na igreja, Burke aparece e diz que não pode se casar com ela. Porque até mesmo o Burke percebeu que Cristina não é mais Cristina. É devastador. Espero que vocês tenham percebido que, no início do episódio, Cristina fala sobre o coração como algo meramente anatômico (“bombeia sangue”) e então os votos do Burke são sobre o coração como algo emocional (“prometo deixar meu coração na palma da sua mão”) e é tão triste perceber que eles têm uma visão do mundo completamente oposta. Eu fico triste pelo Burke e vocês também deveriam porque ele sabe que, de certa forma, ao forçá-la, empurrá-la, conduzi-la pelo caminho em que eles estão juntos, ele que fez isso com ele – ele a mudou. Que a única forma de salvá-la do desaparecimento por completo é libertá-la. E naquele momento maravilhosamente doloroso (amamos Sandra Oh e todo seu talento!) no apartamento, Cristina diz para Meredith “Ele se foi. Estou livre. Droga.” E tem tanta nuances, tantas camadas e é tão trágico pois ela está aliviada e apavorada e arrasada e sufocada, tudo de uma vez. Ver sua jornada a partir disso será incrível na próxima temporada.
George, Izzie e Callie: todos têm suas opiniões, opiniões bem fortes, sobre esse triângulo amoroso. Fico feliz – opiniões fortes significam que vocês se importam com o que acontece. No finale, Izzie se declara e Callie luta para proteger seu território. O momento em que Callie casualmente diz a Izzie que não só foi nomeada sua chefe, como também ela e George estão tentando ter um bebê é muito interessante. Callie diz “não mexe comigo” na única forma que sabe. Sobre a historio de bebê – só para deixar registrado, eu sou muito contra alguém tentar ter um filho para salvar o relacionamento. É loucura, pois nunca funciona e recomendo que não façam isso. Além do que, vai de encontro a todo o meu feminismo. Mas também é humano se iludir, achando que você não vai ter um filho pra salvar o casamento, mas sim que ter um filho é um modo de elevar o relacionamento a um outro nível. E Callie faz aquele discurso sobre seus hormônios e seu corpo. Já passei por isso e sei que é verdade, essa repentina vontade de ter um filho acontece mesmo, e se você tem uma carreira firme, isso te assusta. Callie está sendo tão honesta quanto sabe ser com George. Pois ela não pode mencionar a Izzie de novo – não quando da última vez que ela o fez, George chamou Izzie de supermodel sugerindo que Callie, bem... não era nada disso.
George esteve interessante nesse episódio. Vocês repararam que, depois que ele viu o resultado do exame, toda sua atitude muda? Como ele fica vulnerável de uma maneira que há muito tempo a gente não vê? Meu momento favorito é a cena com a Bailey em que ele diz que ele não pode repetir o ano como interno mais uma vez. Não dá. E aí quando aquela garota no vestiário (Lexie Grey! Lexie Grey!) pergunta se ele tem algum conselho ele simplesmente diz “Não.” Adorei isso. Porque ele não tem respostas. Ele achava que tinha, mas ele falhou no exame do internato e Izzie vira pra ele e diz que está apaixonada. Ele não faz idéia do que o futuro guarda para ele. Seu futuro é uma grande interrogação.
Alex e Ava. Meu coração bate por eles. Ava estava incrível naquelas cenas! E Alex... Já disse antes e repito: Alex é um reflexo de Meredith. Ele é ferrado demais para dar um motivo à Ava para que ela fique pois ele acha que não é bom o suficiente. E não foi coincidência que essa cena veio logo antes da cena MerDer em que Derek pede à Meredith que ela acabe com sua miséria e Mer é ferrada DEMAIS para lhe dar uma resposta. Eles são pessoas estragadas, Alex e Meredith.
O que eu amei foi que, para Meredith, o fato de Cristina se casar se tornou algo incrivelmente importante – o sinal – que talvez ela e Derek conseguissem superar tudo. Que ela pode ser saudável o suficiente para se permitir ter tudo isso, ter ele. Ela fica falando pra Cristina “você consegue” e ela precisa que isso seja verdade. Ela precisa desesperadamente. Meredith, a garota sem um exemplo de família para saber como funcionam relacionamentos, procura em sua melhor amiga. Então quando Burke cancela a coisa toda, Meredith fica quase tão arrasada quanto Cristina. Ela faz aquela longa caminhada até o altar, fica em pé, de frente para todos os convidados, e diz que está tudo acabado. E ela não quis dizer apenas o casamento. Ela quis dizer tudo que esperava que fosse verdade. Ela quis dizer o conto de fadas. Ela quis dizer MerDer. Está tudo acabado. Tudo muito acabado. Porque ela não acredita mais.
Bailey tem muito que resolver no próximo ano. Ela achava que seria Residente Chefe – ela realmente acreditava nisso. Afinal, o Chefe passou a temporada inteira praticamente esfregando isso na cara dela. Mas ele também deu um aviso. Devido à sua própria vida, ele sabe o que é ficar tão centrado no trabalho que acaba negligenciando a família. E ele não deseja isso a ninguém. Essa é uma lição que Bailey ainda não aprendeu – o fato que talvez haja uma escolha entre família e carreira. É algo em que nem eu estou pronta para acreditar. Mas, como eu disse, o que as mulheres começaram a perceber nessa temporada é que talvez elas não consigam ter de tudo. Porque ter de tudo tem um preço. É justo que Bailey tenha que pagar esse preço? Absolutamente não. Mas não é irônico que Bailey tem a família forte e (na sua cabeça) uma carreira instável enquanto Callie tem a carreira sólida e a família instável?
O Chefe. Ah, meu Chefe. Adorei sua jornada nessa temporada. Sua esposa começou abandonando-o e agora ela está de volta. E Derek devolve o cargo para ele, o que abre um leque de possibilidades. Porque se ele vai fazer tudo de novo, o que ele vai fazer de diferente? É possível que ele tenha de tudo? Adele voltaria para ele se ele continuasse como Chefe? Adoro os momentos maravilhosos com sua esposa, quando eles perderam o bebê e ele está ao lado dela. Pra mim é a realidade do suposto conto de fadas de Burke e Cristina, isso é que é amor de verdade. Depois de anos de erros e dor e problemas, amor verdadeiro são duas pessoas juntas, escolhendo estarem juntas, apesar de tudo que deu errado. É muito maduro toda essa história do Chefe e Adele.
Derek, Pobre Derek. Ele fez o seu melhor para fazer Meredith seguir adiante. Ele fez o seu melhor para estar nesse relacionamento e ajudar Meredith a também estar. Ele tentou ser o cara certo. Mas não foi o suficiente. Ele não pode salvá-la. E então, no momento final, quando ele está sentado com o Chefe e diz que não pode aceitar o cargo, isso vai muito além do cargo apenas. Tem a ver com ele acreditar nele mesmo. Amo a cena no vestiário quando ele diz para Mer que ela é o amor da vida dele. Principalmente porque Patrick diz coisas desse tipo melhor que qualquer pessoa que conheço. Mas também porque ele está tentando desesperadamente chegar a ela. E quando ele diz que não pode abandoná-la, que não vai abandoná-la, porque ele não pode – é triste. E ela olha pra ele e entra em pane e ele implora com aquela única palavra “Meredith”... É tão... O modo com ele joga a cabeça para trás quando saem do vestiário. Ele não tem como ser um cara ainda mais certo que isso. O rumo que ele vai tomar na próxima temporada vai ser interessante de se ver.
E, por final, Addison e Mark. Não vemos muito deles nesse episódio. E por um bom motivo. A história deles acabou. Para Addison, há um futuro novinho em folha em Private Practice (quarta-feiras, 21 horas!). Para Mark, ele tem um recomeço em Grey’s ano que vem. Sem Addison. Ele vai se erguer sozinho e acho que vocês vão gostar de ver isso.
Então é isso. Essa foi nossa temporada. Fiz o meu melhor para queimar tudo essa temporada, botar tudo abaixo para ter onde construir a partir da próxima temporada. Botar tudo abaixo foi difícil. Mas a próxima temporada... Ah, a próxima temporada vai ser só diversão e dor e recomeços. Pois nossos internos vão virar residentes. Pois está todo mundo solteiro de novo – só tem aquele pequeno detalhe de Izzie, George e Callie... Mas mesmo assim...
... O futuro está em aberto, pessoal.
Um agradecimento em especial a Tony Phelan e Joan Rater por escrever um excelente finale. E a Filmar Sem Script por... bem, filmar com um longo script.
Tenham um bom verão.
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