Foi ao ar, nos E.U.A., em 11/01/07
A primeira coisa que eu gostaria de dizer é que a pior palavra na televisão, pra mim, é “Continua...”. Sério. Eu odeio isso, e sinto muito por ter feito isso com vocês. Não era a minha intenção. Eu escrevi esse episódio para ser de uma hora. Mas nós o gravamos e ele ficou com 61 minutos, e em uma hora, só 43 são de episódio. Então nós tivemos que escolher entre encurtar 18 minutos – o que iria destruir o episódio – ou mais 4 dias de gravação e fazer uma segunda parte. Doeu. Foi uma decisão dolorosa, e eu fiquei apavorada, com medo que esticar para duas horas fosse comprometer o episódio criativamente, e ele estava tão bonito com 61 minutos... Enfim, fizemos o que tínhamos que fazer, e acho que, no final das contas, funcionou bem como um episódio de duas horas e espero que vocês não nos odeiem demais por fazê-los esperam uma semana pela conclusão. Vale a pena, prometo. Mas é o seguinte. Não tenho muito a dizer nesse blog sem entregar informações que irão acontecer semana que vem. Posso dizer o quando eu amei o que vocês já viram e o quanto eu acho que vocês irão gostar da direção que isso irá tomar. Acho que vou poupar as discussões sobre “Six Days” para semana que vem e usar esse espaço para falar sobre questões que vocês vêem escrevendo para a gente. Primeiro, gostaria de falar das reprises. Têm tido muitas reprises ultimamente e eu sei que é um saco. Era para ir ao ar um episódio inédito dia 4 de janeiro, mas como Six Days virou duas-partes, ficou impossível escrever, gravar e editar todas as cenas novas para colocar no ar dia 4. Mas a boa notícia dessa mudança de planos é que íamos passar um episódio inédito dia 4 e reprisar dia 11. Então sim, você terá que esperar mais uma semana por episódios inéditos, mas depois você terá 7 semanas seguidas de novos episódios! Eba! Esperamos que você goste de todos eles. Nós sabemos o quão frustrantes as reprises podem ser, mas se você fizer as contas – a temporada na televisão tem 40 semanas e nós só conseguimos produzir cerca de 24 episódios – reprises são inevitáveis. Em segundo lugar, gostaria de falar sobre o processo de como e por quê nós fazemos o que fazemos, pois muitos me perguntam isso. É assim que funciona: no final da 2º Temporada, passamos cerca de 5 semanas discutindo a 3ª Temporada – planejando todos os eventos da temporada inteira. Depois entramos num hiato de 5 semanas, nós voltamos e é quando a gente começa a escrever de fato a história. Conforme vamos escrevendo, vãos seguindo em parte ou totalmente o que havíamos planejado. Porque às vezes as coisas dão certo na teoria, mas na prática não funcionam, e coisas que pareciam brilhantes numa 6ª feira, 7 horas da noite, já não parecem tão boas numa 2ª feira, às 9 da manhã. E esse processo às vezes envolve a Shonda sentada em sua cama às 3 da manhã, depois de uma epifania que destruiu completamente nossos planos, mas que ultimamente tem sido muito boa para a temporada. E às vezes, nós lemos um script e sentimos que simplesmente não está dando certo, então sentamos e tentamos fazer funcionar, e conseguimos ótimas histórias assim. Por exemplo, em “Break on Through” na temporada passada, a Izzie ter dado um bebê para adoção nunca tinha sido discutido na sala dos roteiristas. Eu li o roteiro e achei que estava faltando algo. Fui falar com a Shonda e o roteirista do episódio disse “e se a Izzie tivesse dado um bebê para adoção?”, e todos gostaram, então colocamos no script e mandamos direto para a impressão. A equipe de roteiristas ficou surpresa, assim como a Katherine Heigl, pois às vezes a gente está tão atrasado e tão cansado, que esquece de mandar um memorando dizendo ‘ei, aliás, Izzie deu um bebê para adoção.’ Mas o que eu quero dizer é que a gente trabalha duro, planeja as coisas e, como na vida, os planos mudam e isso é uma das coisas que eu amo sobre trabalhar na TV. Além do que, temos uma equipe de roteiristas fenomenal – eles lidam com todas as dificuldades e raramente rompem em lágrimas quando as coisas mudam as 45 do segundo tempo. (geralmente, sou eu quem rompe em lágrimas pois estou grávida e, nossa, esses hormônios são de matar! Greg Yaitanes, que dirigiu Six Days, parou de me chamar de Krista e começou a me chamar de “Moça Grávida”. Depois de passar 12, 13, 15 horas por dia durante 3 semanas e meia de gravação e me vendo aos prantos freqüentemente, acho que ele ganhou esse direito. Mas sério, quem não chorou quando o George viu o pai frágil, depois da cirurgia e, tremendo, pegou no braço da Mer dizendo “É o meu pai, é o meu pai”?? O problema é que eu chorei no set, o que é meio inapropriado.) Ok, fugi do assunto. Eu estava falando do processo. Tenho sido perguntada freqüentemente quanta influência os fãs têm na história. E eu sei que um dos roteiristas escreveu no blog que o que os fãs têm a dizer vale muito na sala dos roteiristas. E acho que de certa forma isso é verdade. Nós lemos seus comentários – não todos, mas a maioria, pelo menos – e às vezes nós os usamos como ponto de partida para um debate na sala. Tipo ‘vários fãs não gostam dessa personagem. Por que?’ Nós falamos sobre a personagem e no que ela tem feito e para onde queremos levá-la – também falamos do fato de que, para cada fã que não gosta do personagem, tem um fã que gosta. Isso é uma das coisas que eu adoro no programa – esse contraste. (eu tinha uma professora de teatro que dizia ‘Se o público está de pé no final da peça, você cumpriu o seu dever. Se o público está vaiando e tacando objetos em você, também cumpriu seu dever. O que você nunca quer é receber aqueles aplausos educados’.) Se nossas personagem tivessem menos defeitos, por exemplo, fossem adoráveis, todos iriam gostar delas e o que nós iríamos fazer? Quanto é possível para uma personagem crescer se ela nunca toma decisões erradas? Quanto drama é possível se as pessoas nunca se fo**em, nunca reclama, nunca fazem mal? Então, nossos debates impulsionados pelos comentários de vocês geralmente nos levam a caminhos interessantes, mas nunca acabam com “é, os fãs não gostam disso, então vamos parar de fazer isso”. Nunca. É nosso dever manter vocês tensos, inspirar comentários raivosos, te irritar e, no final, fazer você voltar para mais. E falando em voltar... Tenho que ir agora – a sala dos roteiristas está me chamando. Então, como eu dediquei esse blog a lhes dar algumas respostas, vou ler e responder as cinco primeiras perguntas que me fizerem depois de lerem isso aqui (contanto que não seja sobre o que está por vir, pois vocês sabem que eu não posso contar.) Ok? E na semana que vem, eu prometo, falarei sobre “Six Days”, partes 1 e 2, em detalhes. Mais em breve. Krista
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